Zygmunt Bauman

Sobre Zygmunt Bauman

Excelente descrição dos tempos atuais...

Excelente descrição dos tempos atuais…

Comentei com uma amiga esses dias que ver as entrevistas do Zygmunt Bauman  era como conversar com um avô que não tenho. Tínhamos muitas opiniões parecidas (não todas, obviamente) e descobri o trabalho dele numa época em que eu já reclamava das coisas líquidas e do mundo que se liquefazia ao meu redor. Zygmunt Bauman se destacava pela análise lúcida dos tempos esquisitos que vivemos e que ele chamava de “modernidade líquida”, uma época em que praticamente tudo perdeu a solidez. Era uma voz pensante, vinda de uma era em que as relações humanas realmente tinham valor e os princípios eram sólidos.

Sempre achei o máximo o fato de ele ter intensificado a produção depois de idoso. A época em que mais contribuiu com a sociedade foi justamente a fase em que muitos acham que são inúteis e tiram o time de campo. Tinha uma lucidez admirável. Pensei muito nele semana passada e, como sempre faço quando me lembro de alguém, orei por ele. Soube que faleceu hoje (felizmente pude orar por Ele a tempo. Tenho certeza de que não foi em vão). 

Bauman tinha 91 anos.

Gosto de estudar História da Humanidade e ler sobre reinos, eras e como se vivia no passado. Quando se acostuma a contar o tempo em séculos e milênios, se percebe que, não importa quantas décadas uma pessoa viva, passa muito depressa. Por isso, é importante fazermos as escolhas certas enquanto estamos aqui, para garantir o que realmente importa.

Para quem não o conhecia, segue duas entrevistas em texto muito interessantes:

Ao La Vanguardia: Clique aqui para ler em português. (Leitor de fala espanhola, clique aqui para acessar o texto original )

Ao El País (em português): Clique aqui para ler.

Alguns trechos:

Estamos em um estado de interregno, entre uma etapa em que tínhamos certezas e outra em que a velha forma de atuar já não funciona. Não sabemos o que vai a substituir isso. As certezas foram abolidas.”

[…]

Muita gente usa as redes sociais não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.”

[…]

“felicidade é o gozo que dá ter superado os momentos de infelicidade. Ter conseguido transformar teus conflitos, porque, sem conflitos, as nossas vidas, a minha vida, teriam sido uma verdadeira chatice.”

E para que você entenda minha sensação de conversar com um avô, segue uma entrevista dele em vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=1miAVUQhdwM

É claro, como pensador deste mundo, a visão de Bauman era incompleta. Quem procurar verdade e o sentido real das coisas nos pensamentos humanos vai fazer com que sua cabeça vire patê. O mundo perdeu Zygmunt Bauman, porque ele era uma das coisas que o mundo tinha de melhor. Mas qualquer pensamento humano vem repleto de lacunas. Por isso, sempre vi Bauman como o avô que falava sobre seu tempo e sobre sua forma de ver o mundo. De maneira nenhuma o via como um mestre ou alguém que aponta o caminho. Ele mesmo nunca se colocou nessa posição. Estava ali para pensar, analisar e avaliar com base no que conheceu. Sob esse aspecto, acredito que existem coisas interessantes em sua análise da pós-modernidade, mas preencho suas lacunas com o Conhecimento Completo a que temos acesso. E é por isso que leio suas previsões políticas e só consigo pensar no apocalipse, no governo mundial (e na sociedade que tem se tornado fria, distante e emburrecida para aceitar o que vem por aí)… Cada um interpreta a leitura com a bagagem que traz consigo, não é mesmo?

 

.

PS: A propósito, eu sei exatamente o que vem depois desse estado de interregno, amigo. Mas melhor do que explicar meu ponto de vista é terminar o livro que estou escrevendo nas horas vagas. Assim conseguirei mostrar o que penso (mostrar é muito melhor do que simplesmente contar). Por enquanto, basta dizer que eu leio tudo com olhos de apocalipse rs. 

.
PS2: Por falar em gente mais velha, sempre amei conversar com pessoas mais velhas. Entendia que poderia absorver o conhecimento delas e aprender com suas histórias de vida e visão de mundo. Evitei muitos erros assim, aprendendo com o que os mais velhos me contavam. Pessoalmente ou à distância, não perca a oportunidade. Se você ainda tem avô ou avó, aproveite para ouvi-los. Ainda que seus pais já tenham lhe contado as mesmas histórias, peça para ouvir a versão de seus avós. Ouça o que eles pensam, mesmo que, de início, não entenda ou não concorde. Se não tem avós, aproveite os avós dos outros, seus pais, seus tios, seu pastor ou amigos mais velhos. Cada pessoa é um universo e quanto mais tempo vive, mais expandido e rico é esse universo.

.

.

Comércio de Almas

worried-girl-413690_960_720

Números do Ministério da Saúde divulgados pelo Estadão esta semana mostram que morrem, POR DIA, cerca de QUATRO mulheres que procuram ajuda nos hospitais por complicações do aborto. Até esse dado ser divulgado, os números oficiais davam conta de que uma mulher morria por esse motivo a cada dois dias. Esse é um problema grave que não se resolve com a proibição da prática. A lei, do jeito que está, não tem ajudado nem a mãe, nem o filho.

Muitos cristãos, no entanto, pensam que estamos falando da morte de assassinas e, por isso, acham que seria uma espécie de “punição Divina”. Essa ideia tem raiz na tradição religiosa católica. Porém, se você quer saber a opinião de Deus a respeito, não pergunte para religião nenhuma, veja o que Ele mesmo diz na Bíblia:

“Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher; e pagará conforme aos juízes. Mas, se houver morte, então, darás vida por vida.”  Êxodo 21.22,23

Se Deus enxergasse como os religiosos de hoje, tanto a morte da mulher quanto o aborto seriam o mesmo crime: assassinato. Porém, não é assim que Ele vê. Se o ferimento provocasse a morte da mulher, a pena era a morte. Mas se provocasse apenas o aborto, a pena era multa. Isso porque o feto era considerado parte do corpo da mãe e só visto como uma vida independente após o nascimento. Concorde você ou não, é esse o entendimento bíblico. Aborto é dano, sim, mas não comparável à morte da mãe. O resto, é tradição religiosa e opinião pessoal. E o fato é que essa tradição tem custado quatro almas por dia, todos os dias.

As maiores vítimas, como sempre, são as mais pobres. Quem tem dinheiro faz aborto no exterior ou em clínicas mais estruturadas, com médicos de verdade. Quem não tem, recorre a medicamentos abortivos ou a um muquifo qualquer. Muitos, liderados por bandidos que só querem dinheiro e não estão nem aí para a vida da mulher. O resultado? Perfurações uterinas, hemorragias e infecções. Quase sempre, não é o aborto que mata a mulher. É o aborto malfeito, clandestino. 

Segundo o IBGE, a maioria das mulheres que aborta já tem filhos. Ou seja, além da nossa lei atrasada alimentar esse comércio de almas, ainda deixa milhares de filhos sem mães. E, que me desculpem os religiosos, é absurdamente cruel e anticristão culpar essas mães por suas próprias mortes. Quando a morte é de alguém da nossa família, percebemos que uma por ano já é uma tragédia. Imagina uma alma sendo ceifada a cada dois dias. Ou quatro por dia! 

Para chegarem a se expor a esses riscos, essas mulheres estão desesperadas, achando que não têm outra saída. Estão sozinhas, muitas vezes sem ter com quem contar. Se o procedimento fosse legalizado, chegariam ao hospital e encontrariam uma equipe multidisciplinar para atendê-las: um grupo de profissionais de saúde interessados no bem-estar da paciente e não no dinheiro que ela tem a lhes oferecer. Teriam o apoio de psicólogo e assistente social para conversar e decidir se aquela realmente é a melhor escolha. E poderiam, de fato, fazer sua escolha. No Uruguai, país que legalizou o aborto recentemente, é exatamente assim que funciona. Algumas mudam de ideia, decidem levar a gravidez adiante e conseguem apoio para ter seus filhos. Outras, mantêm sua decisão de interromper a gravidez e fazem o procedimento de forma segura e sem complicações, mantendo a saúde, a dignidade e a própria alma. 

Não podemos tapar o sol com a peneira, acreditando que manter o aborto na ilegalidade fará com que as mulheres não abortem. Nem nos eximir da responsabilidade quando morrem na mesa dos “açougueiros” e ficamos sabendo pelos jornais. Somos responsáveis, sim, se continuamos a achar que elas não merecem ser protegidas pela lei. Ser a favor da legalização do aborto não é, necessariamente, ser a favor do aborto. Ninguém precisa ser a favor do câncer e do cigarro para ser a favor de que o Estado ofereça, por lei, tratamento de câncer de pulmão a fumantes e lhes poupe a vida. Com o aborto devidamente regulamentado, oferecido com segurança, principalmente às mulheres pobres e desassistidas, aí, sim, podemos começar a discutir se ele é certo ou não, com base em opiniões pessoais. O importante  — e urgente — é que essas mulheres parem de morrer.

PS:
Este artigo é de minha autoria e foi publicado no blog do Bispo Macedo: http://blogs.universal.org/bispomacedo/2016/12/23/comercio-de-almas/
E no jornal Folha Universal
Como qualquer outro texto deste blog, pode ser reproduzido desde que sejam dados os devidos créditos.

Tempestade em copo d’água no casamento

alliances-1196145_960_720

Enquanto eu reclamava da faca suja que ele insistia em deixar em cima do micro-ondas, das folhas amassadas de papel-toalha que ficavam no balcão da cozinha, da insistência em entupir o saco de lixo em vez de trocá-lo e da mania de jogar lixo orgânico no cesto de lixo seco, essas coisas continuavam acontecendo repetidamente (acho que o cérebro dos homens tende a apagar da memória experiências chatas ou ruins – como uma mulher reclamando) e eu acabava deixando chateada desnecessariamente a pessoa que eu amo e com quem convivo diariamente. Resultado: eu também terminava chateada. E por bobagem.

Seguindo os conselhos da Escola do Amor para blindar o casamento, comecei a valorizar o que ele fazia em vez de criticar o que não fazia. Elogiava sempre que ele jogava o lixo no lugar certo, deixei de cobrar que ele trocasse o saco de lixo e passei a eu mesma trocar (o que custa?), coloco uma faca limpa apoiada em um pires em cima do micro-ondas (sei lá se faz parte de algum ritual importante para a sobrevivência da espécie…pelo menos a faca agora está sempre limpa rs) e comecei a recolher os papéis espalhados na bancada e a sempre dar reforço positivo quando ele acertava essas coisas ou fazia outras coisas certas (e ele sempre faz, eu é que não via…sem contar as coisas que eu deixava a desejar e que ele relevava – e eu também não valorizava). Fiz isso por bastante tempo até ter retorno.

O resultado? Hoje ele não deixa mais papel sujo na bancada da cozinha, respeita o sagrado recinto do lixo seco e é ele quem coloca o lixo todo na rua! E até me ajuda na faxina (fazendo coisas que exijam mais força ou altura rs). E não, não preciso pedir. E quando ele não faz alguma coisa que eu acho que ele poderia fazer, eu vou lá e faço. Grande coisa, não arranca pedaço. Vou arrumar briga por isso? Aprendi com a Escola do Amor a escolher minhas guerras. É meio idiota criar um problema em casa por uma coisa insignificante que eu mesma posso fazer. Por que eu não incentivaria, não recompensaria e não elogiaria o homem que eu amo quando ele colabora comigo? Isso reforça positivamente o comportamento que quero que ele repita. E ainda faz com que eu tenha uma pessoa motivada, interessada e feliz ao meu lado.

Assim, vivemos em perfeita paz. E, ao contrário do que algumas mulheres pregam por aí, o fato de eu tratar meu marido bem, elogiá-lo e querer agradá-lo não fez com que ele se tornasse preguiçoso, abusivo ou folgado. Em um relacionamento saudável com um homem de caráter, não há esse risco. Ele se tornou ainda mais colaborativo, motivado a me ajudar e a me agradar. Quando alguém elogia meu marido e diz que eu tive “sorte” em encontrar alguém que se importa tanto comigo, eu logo falo do Casamento Blindado. Um casamento feliz não cai do céu. E não é agindo como uma criança mimada que a pessoa vai conseguir manter um bom relacionamento com outra, independentemente de ser marido, esposa, irmão, mãe, pai, amigo…

Se eu quero ser feliz, preciso aprender a fazer a pessoa que eu amo feliz. Usando a cabeça (em vez de me comportar como uma criança mimada que foi contrariada), consegui tudo o que eu queria e ajudei meu marido a conseguir o que ele queria, também, porque hoje ele não tem uma esposa chata que fica brigando com ele o tempo todo. E temos paz. Quer melhor coisa do que uma casa em que as pessoas se amam, demonstram isso e vivem em PAZ? Qual é o preço? Renunciar à vontade de agir como uma criança pirracenta ou como um general para fazer o que realmente dá resultado. O que, convenhamos, não parece ser nada tão terrível de se fazer.

.

PS: Escrevi isso por causa desta postagem (clique para ler)  no facebook do professor da Escola do Amor, Renato Cardoso. Não dá para entender pessoas que querem ser felizes, mas agem como se vivessem com um inimigo. O que custa colocar em prática conselhos que realmente funcionam?

PS2: São 12 anos e meio de casados e quando vamos a lugares em que não nos conhecem, sempre acham que somos namorados. Nossa adaptação um ao outro não foi automática. Nem mistura pronta para bolo vem, de fato, pronta. Você precisa acrescentar ovo, manteiga e água (ou leite)…compra um troço caro e cheio de aditivos químicos que, na verdade, só substitui a farinha, fermento e açúcar… Se quiser algo que preste, tem de se esforçar para fazer.

O preconceito que Duvivier não enxerga

DuvivierPreconceituoso

Gregorio Duvivier publicou um artigo na Folha de São Paulo narrando como um cidadão que acordasse do coma em 2020 encontraria o Rio de Janeiro. Na visão dele, o Rio teria se transformado em uma cidade religiosa (no pior sentido da palavra). Culpa, é claro, da vitória do Crivella. O artigo é uma pilhéria, obviamente, ele trabalha com uma linguagem de exageros propositais e até entendo o que tentou fazer com o texto, mas o resultado é um punhado de estereótipos grosseiros em um atestado de preconceito assinado e reconhecido em cartório.

Me pergunto se Duvivier tem noção do tamanho do preconceito que seu artigo destila. Acredito que não. Nem ele, nem a maioria dos leitores que concordam com ele. Esse, aliás, é o maior problema dos preconceituosos: são cegos para o próprio preconceito. O preconceituoso até enxerga a intolerância nos outros, mas jamais nele mesmo.  E não enxerga o próprio preconceito porque acha que está falando a verdade, está descrevendo o que vê. Não percebe que já enxerga distorcido porque interpreta tudo a partir de sua forma equivocada de pensar.

Sei que o texto do Duvivier não é sério, mas nessa “brincadeira” ele expressa com clareza o que pensa da Universal. Transportando esse mesmo modelo de texto para a boca de qualquer outro preconceituoso (mesmo que “de brincadeira”), talvez fosse mais fácil enxergar. Um homofóbico, por exemplo, imaginando um Rio de Janeiro cujo prefeito fosse homossexual, poderia pensar em um lugar com os piores estereótipos que sua mente fosse capaz de inventar, quem sabe um lugar que obrigasse todo mundo a ser homossexual e onde gays estuprariam criancinhas na rua. Um racista que imaginasse um Rio de Janeiro cujo prefeito fosse negro, poderia (de brincadeira) usar seus mais odiosos preconceitos para pintar uma cidade tão abjeta quanto seus pensamentos, talvez colocando os negros como bandidos, preguiçosos e burros.

Se o prefeito fosse muçulmano, ainda que (como Crivella) tenha garantido que não misturaria religião com política e governaria para todos, um intolerante poderia descrever o futuro da cidade usando todos os estereótipos de sua bagagem para criar um espantalho terrorista. Mulheres de biquíni na praia seriam decapitadas. Praia, só com burca. E um prefeito do candomblé, então? Alguém poderia imaginar que ele sacrificaria todos os animais da cidade e transformaria todas as praias em “macumbódromos”. Enfim, não há limites para a criatividade de um preconceituoso que acha que só está descrevendo a “verdade” (vista através de suas lentes, é claro). É por meio desse tipo de discurso que se reforça e solidifica um preconceito.

Antes que alguém comente isso, não vou aqui criticar a esquerda ou dizer que ele pensa assim porque é esquerdista e blá blá blá. Sou totalmente contra esse tipo de discurso reducionista, que é exatamente o que Duvivier cometeu na Folha de São Paulo. Abaixo, colo um comentário que encontrei na página dele, de um leitor que tem o mesmo posicionamento político dele e claramente não votou no Crivella, mas consegue fazer uma análise coerente da situação. Coloco aqui para que vocês consigam entender que um discurso coerente e racional independe de posicionamento político. O que estou discutindo aqui é a intolerância e isso, infelizmente, a gente encontra na esquerda, na direita, no centro, nas margens, no avesso, em qualquer lugar.

Comentario_Ruan1

E, respondendo ao argumento de que o texto do Gregorio Duvivier é só “uma brincadeira”:

Comentario_Ruan2

Qual é o objetivo do texto do Duvivier? Você até entende se algo assim vier de uma criança de dez anos, dizendo que eu sou feia, boba e chata. Mas de alguém que escreve para um dos jornais de maior circulação do Brasil? Qual é o objetivo? Conscientizar não é. Conscientizar a respeito do quê, se o autor não trabalha com a realidade, mas sim com suas ideias pré-concebidas? Mobilizar para a luta, a fim de evitar o apocalipse zumbi? Mas se ele só trabalha com a mitologia do seu próprio pensamento distorcido, que mobilização seria essa?

Dá para entender? Quando o discurso se baseia no preconceito, qualquer coisa que se construa sobre ele, desmorona. Sob esse aspecto, o texto do Duvivier é inútil. É um desabafo que só serve para reforçar o preconceito de quem já é preconceituoso como o autor. Ele fala com seus pares, com quem já tem a mesma opinião. Não é um artigo de jornal, é um post de Facebook. Eu não me ofendo com facilidade, só acho ridículo. Do ponto de vista de quem concorda com Duvivier, o artigo é um desabafo por causa da ignorância de quem, por puro antipetismo, colocou um religioso no poder (correndo o risco de instaurar uma teocracia no Rio de Janeiro #vontadederir). Do ponto de vista de um membro da Universal, é uma agressão gratuita, carregada do pior preconceito, motivada por um impulso de mau perdedor.

Quem realmente se importa com a sociedade e quer fazer algo útil pelas outras pessoas precisa ser capaz de entender todas as microculturas que fazem parte dessa sociedade. Caso contrário, vai se fechar dentro do seu próprio casulo e conversar com seu próprio umbigo. A cada vez que me deparo com um discurso desses, que, sem me conhecer, tenta dizer que eu sou ignorante, manipulada e bitolada, mais rejeito qualquer outra coisa que venha de quem apoia esse discurso. Se querem só reforçar seu preconceito e receber abraços de outros preconceituosos, está funcionando.

Segue abaixo o texto completo:

“Ungida seja a Folha de São Salmo

Por: Gregorio Duvivier

Em 2011, o iPhone ainda era redondinho. Escapuliu das mãos de Fernando e foi parar debaixo do banco exíguo do seu Palio Weekend. Sua mãe não parava de falar do outro lado da linha. “Calma, mãe! Tô procurando o celular” foram as últimas palavras de Fernando antes do coma. Entrou com tudo num poste da avenida Nossa Senhora de Copacabana e só acordou em 2020.

Quando abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi um sujeito de camisa branca e gravata lilás. “Olá, eu sou seu médico, Zaqueu”. “Essa é a Clínica São Vicente?”, Fernando perguntou. “Antiga São Vicente, hoje Clínica Vitória em Cristo.” “Mas isso é no Rio de Janeiro?” “Antigo Rio de Janeiro, hoje Novo Rio Jordão. Muita coisa mudou desde a revolução, Ezequiel.” “Meu nome é Fernando.” “Desculpa, Fernando não existe mais. Seu equivalente bíblico é Ezequiel.”

Fernando desceu a rua Marquês do Sétimo Dia até chegar no Jardim Messiânico, onde, olhando pro alto, se deparou com uma enorme pomba no alto do Corcovado. Na avenida Nosso Senhor de Copacabana sentiu falta dos botecos. Entrou numa padaria, a televisão passava um jogo de futebol: FluCristense jogava contra o Coríntios. No lugar da bola, uma santa. Abdias, zagueiro corintiano, chuta a santa pro gol. Na trave. ‘Tá amarrado em nome de Jesus!’, grita o garçom.

No intervalo, Fernando comprou uma ‘Folha de São Salmo’ e percebeu que se aproximava o Carnaval. ‘Certas coisas não mudam’, pensou Fernando, ao ver o concurso de Mulata da Record. Logo percebeu que todas vestiam saia até o tornozelo. O samba-enredo da Ungidos da Tijuca versava sobre o perigo da maconha: ‘Desde a Galileia, os fariseus só querem te drogar/ é coisa do tinhoso/ sete-pele escabroso/ vai te enfeitiçar’.

Pagou com o cartão. Não esqueceu a senha, mas esqueceu dos 10%, lembrou o garçom. ‘Achei que o serviço tava incluído’, explicou Fernando. ‘O serviço tá incluído. Tô falando do dízimo.’

Arrasado, Fernando procurou os amigos. ‘Como é que vocês deixaram o Rio chegar nesse estado?’, Zebedeu, antigo Duda, não entendeu a revolta. ‘De vez em quando um amigo some, toma uma surra, mas em geral é porque se desviou do caminho. Se você tem Jesus no coração e vive na paz do Senhor, seu caminho tá iluminado.’ O amigo sorri pra câmera. Fernando não acredita. Sussurra entre os dentes: ‘A gente precisa fazer alguma coisa’.

‘Calma, Ezequiel’, o amigo sussurra de volta. ‘Pode até estar ruim, mas qualquer coisa é melhor que a roubalheira do PT.'”

Viram que primor? Na minha análise racional, tento evitar o impulso de pensar: “puxa, que babaca”. Mas aí penso que obviamente a criatura nem sabe o que está dizendo. Se soubesse, não diria. E não consigo nem ficar com raiva do cara, sério.  Esse é o exemplo claro do texto feito sem mediação do cérebro. O autor ficou tão revoltado e frustrado com o resultado da eleição que usou todo aquele SENTIMENTO para cometer o artigo. Porque se sentiu agredido com a escolha de quem elegeu Crivella, quis agredi-los com esse texto.

Acho que encontrei o objetivo desse artigo do Gregorio Duvivier: ensinar que você pode até escrever alguma coisa no auge da emoção, mas é melhor deixar paradinho lá no seu computador até o sangue esfriar para ver se realmente vale tornar público. Textos passionais revelam o pior do escritor. Geralmente aquilo que, se ele enxergasse, iria preferir mudar.

.

PS: Crivella venceu a eleição ontem e as reações já me fizeram começar um texto sobre preconceito, que eu pretendia publicar durante a semana. Aí hoje me aparece essa. Pelo visto, esse será o tema da semana…

PS2: Sei que causa indignação. Eu mesma disse que o primeiro impulso foi achar o texto babaca. Mas esse post não foi para criticar a pessoa do Duvivier, e sim o comportamento dele nesse caso específico. Já vi Gregorio Duvivier escrever muita abobrinha, mas também já o vi escrever muitas coisas com que concordei. Não é uma questão de “fulano é ruim, por isso fala coisas ruins”. Essas coisas ruins podem estar em qualquer lugar, inclusive dentro de gente muito boa que não faz ideia de que é preconceituosa. O alerta é contra o preconceito e não contra o Duvivier. O tema “igreja Universal” desperta esse tipo de reação odiosa das pessoas e quem é membro da igreja há muito tempo, como eu, já até está meio que acostumado. Mas é importante expor esse problema para alertar quem não quer agir como o Duvivier agiu (inclusive ele mesmo, vai saber).

..

Crivella e a matéria de capa da Veja que se autodestruiu em 5 segundos

IMG_3561

Parece história de agente secreto (aquelas das mensagens que se autodestruíam em 5 segundos). Mal saiu na capa (na CAPA, meus amigos, NA CAPA) da maior revista semanal de circulação do país e a matéria “bombástica” da Veja contra Marcelo Crivella já morreu.

Tive o desprazer de ler essa matéria hoje em uma livraria para que você, caro leitor, não precise passar por isso. Minhas impressões finais: Veja nem disfarça. Ao estampar sua capa com uma foto pré-histórica de Crivella aparentemente sendo “fichado” pela polícia, a revista tenta fazer o leitor associá-lo a um bandido. Isso, na reta final das eleições municipais poderia (na cabeça de Veja) prejudicar o candidato, que está em primeiro lugar nas pesquisas. A intenção eleitoreira, aliás, é óbvia. A tiragem que foi para o Rio saiu com Crivella como personagem principal da capa, mas as revistas distribuídas no restante do país trouxeram a prisão de Eduardo Cunha (essa, sim, notícia recente) como destaque (ainda assim, a chamada para a matéria sobre Crivella continua na capa, na parte superior).

O texto é confuso e passa 75% do tempo tentando convencer o leitor de que Crivella cometeu o terrível crime de nunca ter mostrado a foto que a Veja (em graaande furo jornalístico) achou que valia capa. Só nos 25% restantes é que o leitor consegue ter uma vaga ideia do que, de fato, aconteceu. Mas eu não consegui entender o fato só com a matéria da Veja (como eu disse, o texto estava super confuso e incompleto), tive que recorrer a outras fontes. No site de Crivella, já tem uma explicação objetiva a respeito:

“Crivella nunca foi preso, nem fichado. O caso divulgado pela revista Veja, que aconteceu há 26 anos, começou quando Crivella, como engenheiro, foi chamado para fazer uma inspeção em um muro que corria o risco de cair e machucar as pessoas. O terreno era da Igreja Universal, mas estava invadido. Os invasores não queriam deixar Crivella entrar e, após uma confusão, todos foram levados para delegacia. Lá, o delegado resolveu identificar a todos e por isso foi tirada a foto que está na capa da revista. Não houve processo, pelo contrário. Foi Crivella quem iniciou um processo contra o delegado por abuso de poder.

A foto em questão foi enviada pelo próprio Crivella para amigos, há algum tempo, quando conversavam sobre as dificuldades que os homens de fé enfrentam. E quando questionado pelos repórteres da Veja, Crivella colaborou com os jornalistas e entregou todo o processo para que eles pudessem apurar os fatos. Apesar disso, a capa foi publicada dando a entender que Crivella foi realmente preso.” (Clique aqui para ler no site e ver o vídeo em que Crivella explica o que aconteceu).

Aí você pensa: se não foi preso, nem fichado, como essa foto de identificação foi feita? A resposta, incrivelmente, vem de uma matéria do jornal O Globo (também malfeita, pois não ouve o Crivella, se contenta com o que a Veja disse que ele disse…o que eu chamo de “jornalismo disse-me-disse”, mas ok). O título é: “Foto de Crivella fichado pode ter sido prática equivocada da Polícia Civil”, evidenciando o fato de que faltou apuração por parte da repórter da Veja. Mas era preciso fazer a matéria a toque de caixa, né? Se a pessoa tiver a preocupação de apurar, de fazer jornalismo sério e procurar a verdade, não vai conseguir trabalhar na Veja.  A matéria do Globo esclarece que não apenas Crivella não cometeu delito algum ao ter retirado a foto da delegacia, como também que o erro foi do delegado (confirmando, aliás, a versão de Crivella):

“Para o criminalista Bernardo Braga, que também é professor de Direito do Ibmec, a identidade criminal “é exceção, não a regra”. Quem tem documento civil íntegro, segundo ele, não deve ter de ser fotografado pela Polícia Civil:

— Hoje em dia, tem a lei 12.037 de 2009, que estabelece que a identidade criminal só deve ser feita se o detido não tem a identificação civil ou se o documento está destruído. Pode ser que essa identificação seja uma arbitrariedade. Ele (Crivella) não poderia ter sido identificado criminalmente nem se fosse preso — afirma ele. Segundo Braga, a lei citada permite que, após inocentado ou tendo o inquérito arquivado, o cidadão fichado criminalmente pode retirar a foto da polícia civil.

Já Breno Melaragno, presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB/RJ, ressaltou que, em 1990, a prática da identificação criminal era ilegal, “a menos que ele (Crivella) não portasse nenhum documento de identidade”:

— Mesmo que tenha sido preso em flagrante. Ou ele estava sem identidade ou o delegado da época tomou uma atitude ilegal, o que não era incomum.”

Viu como seria fácil a repórter da Veja cortar 75% (ou mais) de seu texto, economizando papel e salvando árvores? Era só conversar com um especialista e se informar um pouquinho, descobriria que não houve crime algum. Depois de passar a maior parte da matéria-mico tentando convencer o leitor de que Crivella comete algum tipo de crime ao manter a foto em casa e não na delegacia, a revista começa a contar o caso que levou à suposta “prisão”:

“O caso, em si, é de menor gravidade. Tudo começou em 1986, quando a Igreja Universal comprou um punhado de imóveis no bairro de Laranjeiras e pôs tudo abaixo.”

Ué…se o caso, em si, é de menor gravidade e a gente acabou de descobrir que retirar a foto da polícia civil não é crime (e, pior: a polícia tirar essa foto é que era ilegal) e, portanto, não tem gravidade nenhuma, isso significa que o caso, em si, é completamente irrelevante. Palavras da própria repórter da Veja! O caso, em si, é de menor gravidade do que um fato que não tem gravidade. Por que você, leitor, se preocuparia com um caso que a própria revista assume não ter gravidade NENHUMA? (Aqui você descobre que se a revista tivesse feito uma apuração decente, toda a matéria poderia desaparecer e as pobres árvores estariam salvas.)

E aí eu pergunto: uma matéria mal apurada dessas, que desrespeita o básico do jornalismo e se esvazia ao toque do primeiro alfinete, MERECIA CAPA??? Tudo bem, eu entendo que a Veja é assim mesmo, criadora de factoides, trabalha com distorção de dados, grampos sem áudio e manipulação descarada, mas aqui a coisa parece ter sido feita às pressas, sem a mínima preocupação de dar solidez à matéria. Não há aspas de nenhum advogado, não há investigação alguma. Mais uma vez, a Veja conta com a ausência de cérebro dos seus leitores, que aceitariam a acusação sem nenhum questionamento. Eu, sinceramente, duvido que os leitores da Veja sejam tão burros quanto a revista gostaria que fossem. Essa revista morreu e esqueceram de enterrar.

A linha editorial da Veja é assumidamente de extrema direita, mas com essa matéria, indiretamente faz campanha a favor de Marcelo Freixo, candidato do PSOL, de extrema esquerda, apoiado pelo PT (partido que a Veja sempre quis destruir). A Veja se abraça ao seu inimigo em um ataque desesperado pré-eleitoral contra Crivella. Isso é o mais bizarro da coisa toda. Se ter o Freixo como prefeito do Rio de Janeiro é melhor para a Veja do que ter o Crivella como prefeito, começo a desconfiar fortemente das intenções desse Freixo. E o fato de a Veja se mostrar tão desesperada para evitar a eleição do Crivella só mostra que Crivella deve ser ainda melhor do que parece.

Notícia velha, processo arquivado, foto tirada de maneira ilegal e devolvida por um delegado arrependido da ilegalidade. Se o que a revista Veja queria era um furo, conseguiu vários: há muito tempo eu não lia uma matéria de capa tão furada quanto essa.

.

Quando as pessoas distorcem as coisas

Cabresto_religiao

Um amigo me mandou um link de uma postagem do PC Siqueira com a imagem que abre esse post. É uma “releitura”* de uma ilustração de Pawel Kuczynski, criticando a religião. O original, porém, faz uma crítica muito mais interessante e inteligente, mas provavelmente algum jogador de Pokémon se ofendeu e resolveu fazer sua versão ateísta rs. Segue o original e, depois, meu comentário sobre a “releitura”:

PavelKuczynsky

Acho que a pessoa que alterou esse desenho e as pessoas que compartilharam a “releitura” confundem Jesus e religião. A religião realmente escraviza, mas a Fé em Jesus liberta. Doido isso? Só para quem acha que as duas são a mesma coisa. Mas a escravidão não é exclusividade dos religiosos. Essa imagem, interpretada em um contexto negativo (de cabresto, escravidão e ignorância), é a perfeita ilustração da vida da maioria das pessoas do mundo.

Troque o bonequinho montado na pessoa por qualquer coisa: vícios, medo, depressão, internet, dinheiro…todo mundo tem um senhor. Aquele a quem você obedece, se torna seu senhor. No meu caso, era a depressão. Ela vivia montada nas minhas costas, me dizendo como a vida era e como eu deveria enxergar as coisas. Eu acreditava nela. Achava que fazia parte de mim e não sabia como me libertar. Nas minhas mãos, se alternavam um espelho e uma lente distorcida por meio da qual eu interpretava o mundo. Ou eu estava olhando para mim mesma, ou através das lentes distorcidas. Aquilo, sim, era escravidão.

Religião eu já tinha e não adiantava nada. A Fé tem a ver com uma nova forma de enxergar a vida e orientar minhas reações. Conhecer Deus me fez livre, tirou o bonequinho da religião de cima das minhas costas. E entender os ensinamentos bíblicos mudou minha forma de me relacionar com as outras pessoas e comigo mesma. Desenvolvi autocontrole e hoje tenho uma estabilidade emocional que jamais pensei ser possível. A transformação que essa nova forma de viver fez na minha mente nenhum psicofármaco jamais conseguiu fazer (e olha que eu tomei um monte de coisa!), nenhuma terapia, nada.

Por isso, eu olho para essa imagem e a única coisa que consigo pensar é: “ok, se ele está falando de religião, está certo. Mas se está tentando dizer que a Fé em Jesus e na Bíblia escraviza, isso só mostra que não conhece nem a Fé, nem Jesus, nem liberdade”. Aí, meu amigo, nem faz sentido eu ficar ofendida ou brava com quem modificou o desenho ou com quem o compartilha. Sei que é uma provocação e sei que tanto a pessoa que fez essa ilustração quanto quem compartilhou não conhece o que eu conheço e estaríamos falando em idiomas diferentes.

Minha única intenção com esse comentário é deixar um depoimento para as pessoas sinceras que realmente gostam de reunir dados e avaliar sem preconceitos. Se você só conhece cristão burro, saiba que existem pessoas diferentes do lado de cá.  Assim como tem ateu bitolado e ignorante, cristão bitolado e ignorante, espírita bitolado e ignorante, muçulmano bitolado e ignorante, judeu bitolado e ignorante, budista bitolado e ignorante…ignorância e burrice não escolhem etnia, religião, corrente filosófica ou formação acadêmica.

A prova de que quem fez essa ilustração não faz a menor ideia do que a Bíblia ensina sobre Deus está justamente na Bíblia: “Instruir-te-ei e te guiarei no caminho que deves seguir; os Meus olhos estarão sobre ti para aconselhar-te. Não sejais como o cavalo ou a mula, que não possuem compreensão, mas precisam ser controlados com o uso de freios e rédeas, caso contrário não poderiam obedecer.” (Salmos 32.8,9).  

Deus orienta e, quem pensa, segue o conselho. E um desses conselhos é justamente não ser cabeça-dura, sem entendimento. Porque a Fé nos dá capacidade de pensar, de avaliar, de entender sem preconceitos, de ouvir um bom conselho e ter a humildade de obedecer, sabendo que é o melhor para nós.

A Fé nos dá força para seguir boas orientações, mesmo quando precisamos sacrificar nossa vontade (de brigar, de guardar mágoa ou de fazer algo de que nos arrependeremos depois, por exemplo). Conseguimos fazer nossas escolhas de acordo com o que será melhor para nós em vez de escolher de acordo com o primeiro impulso ou com uma forma errada de ver as coisas. Conseguimos dizer “não” ao que nos faz mal e viver uma vida tranquila, feliz, cheia de lutas e problemas, sim, mas cheia de força e vitórias. Com a força extra que recebemos pela Fé, conseguimos reagir e decidir com muito mais clareza. 

A opinião de Deus sobre esse assunto é que não devemos ser como o cavalo ou a mula. Deus não faz ninguém de cavalo. Ele nos convida a usar a cabeça, para que não precisemos ser controlados por nenhuma situação, pessoa, religião, ideologia, doença, depressão, ansiedade, insegurança e nem mesmo pelo nosso próprio coração confuso. E isso, meus amigos, é ser livre.

 

.

*Releitura é o nome bonitinho que o povo dá para um plágio em que você modifica uma arte original, mas cita o nome do artista…

PS: Clique aqui para ver a imagem original da obra “Control” na página do artista no Facebook.

PS2: Não sei se a modificação foi feita com ou sem autorização do autor, mas aposto que sem…note que erraram o nome do autor no plágio na “releitura” acima. Eu tenho problemas sérios com esse negócio de se aproveitar do trabalho dos outros para modificar, distorcer e divulgar sem autorização, vocês sabem. Não é porque parei de atualizar o site Autor Desconhecido que deixei de apoiar a causa.

 

Aplique isso na sua vida e evite problemas

IMG_2802

Em um lindo domingo de sol, você caminha tri feliz com seu tênis rosa, sua blusa das meninas superpoderosas e seu marido lindo na Av. Paulista e ignora o aviso de “Ar Ruim” em todos os relógios-termômetro do caminho (que você VIU, mas achou que não era suficientemente importante para levar em consideração porque, né, quem precisa de ar?).

Como consequência, algum poluente tóxico assassino ativa uma sinusite maluca e aqui está você, há uma semana de cama, tossindo e passando por uma lenta e dolorosa recuperação. O aprendizado é: não ignore os sinais! Tudo pode parecer certo, legal, divertido e muito agradável, mas se perceber um avisozinho pequenininho dizendo que o troço é ruim, pula fora o mais rápido possível.

Às vezes o avisozinho é um conselho da sua mãe, às vezes é uma voz suave na sua consciência ou duas palavrinhas brilhantes no cantinho de um relógio de rua. Não ignore. Não espere que as coisas comecem a gritar: “SAI DAQUI! ISSO VAI DAR PROBLEMA!!!” porque as coisas não são assim. Elas pensam (sim, porque acontecimentos da vida pensam, meu amigo): “a vida é sua, se quiser fazer tudo errado, problema é seu, tô aqui na minha, você é que fez a escolha”.  

E as coisas estão certíssimas, porque quem tem que fazer a escolha é você. Quem vai passar a semana inteira com as vias aéreas desesperadas é você, a respiração é sua, o pulmão é seu, a vida é sua, o futuro é seu, as consequências serão colhidas por você (às vezes respingando nos outros que estão ao seu redor e não tinham nada a ver com isso, mas o pior sempre vai para o titular da escolha, não se engane). Então fique esperto e, da próxima vez, não ignore os pequenos sinais.

.
PS: Sim, meu gerador de textos de autoajuda trabalha a milhão, sempre fazendo paralelos entre acontecimentos triviais e respostas a grandes questões existenciais. Não consigo evitar, sorry.
PS2: Obviamente, não foi por isso que fiquei um milhão de anos sem postar nada. Essa justificativa só cobre os últimos 7 dias, em que todo o tempo útil do meu cérebro teve que ser direcionado ao trabalho (e o restante, para tentar me recuperar). 

Amor Verdadeiro

amor

Porque o amor é assim…não se importa com a aparência. Nos faz querer cuidar, estar ao lado nos momentos difíceis de quem sempre esteve ao nosso lado nos dando alegria. Se o seu “amor” está apoiado só no que o outro pode oferecer ou em coisas passageiras como a beleza física, você não sabe o que é amor verdadeiro.

Amor de verdade é quando você vê o outro depois de uma cirurgia, frágil e esquisito, olha bem em seus olhos e acha lindo. Uma beleza que está além da aparência, a beleza do indefinível que vocês compartilham. E tem certeza de que poderia cuidar dele para sempre, ainda que tivesse que ficar sem dormir, ainda que tivesse que fazer o sacrifício que fosse para ele nunca ficar sozinho.

Já tive que dar essa prova de amor várias vezes na vida, em diversos graus de dificuldade. O amor não é fácil, porque exige uma entrega que não é natural ao nosso eu egoísta. Mas é essa entrega sacrificial que faz com que ele valha a pena.

.
PS:Tiggy teve uma sinusite (sim, gato também tem isso) que virou infecção nos dois ouvidos e, depois de alguns meses de luta, teve que fazer cirurgia mês passado. Agora está se recuperando.
PS2: Quando descrevi a reação de olhar nos olhos e achar lindo, estava pensando em todas as vezes que passei por isso, não especificamente na Ricota rs. A Ricota pulou a parte de olhar nos olhos do outro depois da cirurgia e achar lindo, mas não foi culpa dela. Ele chegou com cheiro de cachorro e ela ficou bem confusa, só entendeu que era o Tiggy depois que eu passei o lencinho umedecido preferido dela nos dois. Acho que ela precisa ler um pouco mais sobre o amor verdadeiro.

Depois do Jejum de informações

time-is-on-your-hand-1-1423292

Depois de 21 dias de jejum de informações e redes sociais, não dá vontade de voltar ao mesmo ritmo de antes. Você ainda está curtindo a paz que conquistou ao se desligar do mundo para se conectar ao que alimenta seu espírito.

E realmente não é necessário voltar ao mesmo ritmo. Colocamos redes sociais e veículos de informação no lugar em que eles devem estar: na posição de ferramentas. Não nos controlam mais e os utilizamos apenas quando necessário. Não aceitamos mais ser sugados por esse grande aspirador de cérebros.

Tomamos de volta o controle do nosso tempo e conseguimos pensar melhor para fazer nossas escolhas. No começo, as outras pessoas estranham, mas aos poucos se habituam. Só você é responsável por estabelecer suas prioridades e manter sua vida nos eixos.

Jejum de informações — você não perde nada

RESOLVA-O-PROBLEMA

Jejum de informação faz bem a qualquer pessoa. Você não fica alienado (pelo contrário…) e nem perde nada com isso, principalmente se substituir essa superestimulação das emoções por conteúdo que alimente seu espírito. É incrível o poder transformador de separar três semanas para se dedicar ao que realmente importa. Alienados são os que passam 365 dias do ano (366 este ano, que é bissexto) se alimentando diariamente do conteúdo da TV, jornais, revistas e sites sem parar para pensar. E não se engane, é impossível conseguir pensar no meio do turbilhão.

Inevitavelmente, os textos falados e escritos dirigem sua interpretação para onde querem se você não aprender a desenvolver seu senso crítico. E senso crítico só se desenvolve no silêncio. É preciso silêncio para pensar, refletir, avaliar. A sociedade da correria irracional nos leva a não pensar. Milhões de vozes em nossa cabeça o dia inteiro: os sites que vemos, as informações superficiais em forma de pílula nas redes sociais, as notícias a respeito da vida dos outros (e que não fazem a menor diferença na nossa vida), os programas de TV, as frases que as pessoas compartilham nas redes sociais e as notícias que não temos tempo de pesquisar se são verdadeiras ou não, mas que nosso cérebro acaba aceitando como verdadeiras, quer alguém as desminta depois, quer não.

Aquele rádio ligado 24 horas em nossa mente nos traz a sensação de que estamos sabendo alguma coisa, fazendo alguma coisa, aprendendo ou compartilhando alguma coisa. Porém, isso é ilusão. Você tem a sensação de que está fazendo algo e viver checando redes sociais, whatsapp e e-mails inunda de dopamina o seu cérebro, em um mecanismo muito parecido ao do vício. Essa espiral maluca nos deixa comprovadamente mais mais ansiosos, mais depressivos e mais burros.

Uma das coisas nonsense que ouço quando comento o conceito de jejum de informações é que vou ficar alienada. “Como pode ficar 21 dias sem saber o que está acontecendo no mundo?” Quem entende como as notícias funcionam sabe que nós já ficamos sem saber o que está acontecendo no mundo, ininterruptamente. Temos a ilusão de que estamos sabendo, mas, na verdade, só sabemos o que alguém decidiu que deveríamos saber. E, geralmente, as notícias chegam até nós pela metade, superficiais e tendenciosas.

Na correria de dar o “furo” ou de não ser o único veículo a não noticiar o que todos os outros estão noticiando, os jornais nos soterram com informações completamente inúteis, repetitivas, mal apuradas ou incompletas. Os programas de TV, pior ainda! Para manter a audiência, apelam para nossas emoções. Os dramas, a abordagem sensacionalista, os suspenses sem fim para impedi-lo de mudar de canal durante o intervalo…

Depois de um tempo desconectado, você consegue enxergar melhor as estratégias que estão por trás das coisas a que assistimos. Dia desses, vi um programa em que o apresentador viajava para “fazer uma surpresa” a uma senhora pobre. O que me chamou atenção naquele programa e em outros a que fui obrigada a ouvir em salas de espera (a única maneira de me obrigar a ouvir os programas matinais da Globo) é que os apresentadores parecem conversar com crianças pequenas ou com pessoas com problemas mentais. É sério. Eu fiquei assustada com isso.

Estou acostumada a acompanhar vídeos sérios e, na TV aberta, A Escola do Amor, em que os apresentadores falam como adultos e para adultos, então achei que o problema fosse o tal apresentador. Mas não era, pois, como eu disse, vários outros programas, em emissoras diferentes, tinham a mesma linguagem.

As pessoas não percebem que estão sendo tratadas como se não tivessem capacidade cognitiva de acompanhar um programa para adultos? Não percebem o esforço de imbecilização, o tratamento superficial e exageradamente emocional dado às “notícias”? Não percebem o quanto programas de TV fazem de tudo para encher linguiça, tirando proveito da sua curiosidade ou o quanto sites de notícias as enchem de matérias inúteis e lixo reciclado do dia anterior?

Não percebem quando o jornalista sequer se deu ao trabalho de revisar o texto que escreveu, fazendo tudo correndo, pela ânsia estúpida dos portais que querem dar notícia “minuto a minuto”? Não percebem que suas opiniões a respeito de tudo são moldadas com base no que esses veículos oferecem? Veículos que nos veem como idiotas e que nos tratam como idiotas? Defendo o bom jornalismo como quem defende um bichinho em extinção. Mas faço crítica feroz à porcaria que nos vendem hoje como jornalismo, sem conteúdo e usada como arma nas mãos de quem quiser manipular aqueles que sinceramente acreditam estar se informando.

Felipe Pena, em seu excelente livro “Teoria do Jornalismo”, sugere: “Pegue o jornal de hoje e compare-o com a edição do mesmo dia do ano anterior. Houve alguma variação de assunto? Faça a mesma coisa com uma edição de dez anos atrás. Se você mora no Rio de Janeiro, como eu, posso até dizer quais são as pautas: crise na economia, corrupção na política, violência nas ruas, agenda do presidente da República e do governador, o domingo de sol na praia e notícias sobre os times de futebol. Enfim, como diria Cazuza, ‘um museu de grandes novidades'”. 

Infelizmente, as coisas estão assim. Não perderemos nada nesses 21 dias em que nos afastaremos dessa loucura. Como Steve Chandler bem pontua em seu “100 maneiras de motivar a si mesmo” (uma das maneiras é justamente fazer um jejum de notícias), “Não tenha medo de perder alguma notícia relevante. Você ficará sabendo dos fatos mais importantes, como uma guerra, um desastre natural ou um assassinato, tão rapidamente quanto se estivesse com a TV ligada no noticiário”.

Alguém uma vez me perguntou (é sério): “E se o mundo acabar? Você nem vai ficar sabendo!”. Vamos ignorar a falta de sentido dessa pergunta (rs). Mas aproveitando o tema, se o mundo realmente acabasse nos próximos 21 dias, de que adiantaria toda a informação que temos consumido? Prefiro reservar três semanas do meu ano para dar atenção ao que realmente importa. Ao que realmente faria diferença para mim se o mundo acabasse nos próximos dias.

.

PS: Para quem não acompanhou ou para quem gostaria de rever os posts das edições anteriores do Jejum de Daniel neste blog, segue o link da categoria: http://lampertop.com.br/?cat=709 .

 

A ignorância de quem quer apontar ignorância alheia

CholYmjWMAIgu2D

A história é a seguinte: Começou a circular essa foto de um pastor entrevistando um homem na TV. A legenda diz: “Curado de tuberculose, tumor no cérebro e aids, Luis tinha apenas uma célula no corpo”. (Ainda espero que isso seja photoshop…de qualquer forma, até onde sei, quem faz legenda são os jornalistas que trabalham na produção, não o bispo.) Está virando hoax porque alguém começou a espalhar que o pastor é o Marcos Pereira, presidente do PRB, bispo licenciado da Universal, cotado como ministro de ciência e tecnologia em um eventual governo Temer. Prato cheio para os preconceituosos de plantão, que trataram de pintar Marcos Pereira como um religioso ignorante.

O problema é que a pessoa na imagem não é o Marcos Pereira. Desse ângulo, me parece o Bp. Milton César, que é missionário e não tem absolutamente nada a ver com política. E você nem precisaria conhecer o Marcos Pereira pessoalmente para saber disso, bastaria uma pesquisa por fotos dele em ângulos semelhantes, como essa aqui. Fiz até uma montagenzinha tosca, para exemplificar:

Bp.Milton.Marcos

Repare no formato do nariz, linha do cabelo, sobrancelha…claramente, não é a mesma pessoa.

E este não é um post sobre política, é sobre informação. Não sou a favor do Temer, mas sou menos a favor ainda de informações distorcidas. Vi jornalistas e gente séria (alguns estão nas duas categorias simultaneamente) compartilhando ou respondendo indignadamente a essas mensagens sem sequer questionar. Nenhuma apuraçãozinha básica. Nenhuma pesquisa no Google images. Nenhuma desconfiança.

Será que eu é que sou a neurótica que pesquisa tudo o que chega às mãos ou está na moda ser descuidado com as informações? A pressa de dar a notícia, a gana de ter a razão, a vontade descontrolada de emitir opinião, ridicularizar, julgar e condenar faz com que o jornalismo emocional aja da mesma maneira irresponsável e preconceituosa, não importa de qual lado esteja. 

E, confiando que os jornalistas fizeram a lição de casa, seus seguidores compartilham cegamente, ajudando a multiplicar a ignorância e aumentar o estrago que esse tipo de coisa faz na credibilidade de quem divulga. Sim, porque começo a questionar absolutamente tudo que essas pessoas publicam ou compartilham. Tentando apontar a ignorância alheia, esses jornalistas conseguiram estampar sua própria ignorância e preconceito no outdoor das redes sociais.

Se criticam o tipo de jornalismo que a Globo faz (lembrando que a Globo também já divulgou hoax sobre a Universal como se fosse notícia…), deveriam ter cuidado redobrado para não fazer parecido. Mas o que vejo é um descuido tão grande que beira a burrice. Desligam o cérebro, ativam a emoção e dane-se a verdade, os fatos, a apuração, o jornalismo, a responsabilidade e a ética.

Jornalista que honra a profissão não o faz apenas no horário de expediente. Seja nas redes sociais, em nossos blogs ou em uma redação de jornal, apuração, investigação e busca pela verdade correm no plasma com nossos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Não tem como tirar férias disso. Por essa razão, eu até entendo o cidadão comum que faz isso, mas não consigo ser condescendente com jornalista que publica ou compartilha hoax como se não houvesse amanhã.

Quem faz isso e ainda se empina como defensor da verdade e da justiça não tem moral nem para criticar o jornalista que escreveu a famigerada legenda do rapaz unicelular. Sinceramente, não tem. E olha que eu não acho que uma legenda dessas deva passar impune, mesmo já tendo visto coisa parecida em TODOS os programas de TV a que assisti. Na minha opinião, jornalista ou liga o cérebro para trabalhar, ou vai trabalhar com algo em que não precise usar o cérebro.

 

.
PS: Não sei se preciso comentar isso, mas é de uma ignorância abissal dizer que o simples fato do cidadão não ser evolucionista o desqualifica para chefiar a pasta de Ciência e Tecnologia.  Por favor, né?

UPDATE: Questionaram o primeiro PS, então vamos esclarecer: A questão de o evolucionismo não ser unanimidade entre os cientistas é matéria para outro post. A questão sobre o criacionismo ser “uma doutrina ultrapassada” ou não também é matéria para outro post. A questão sobre se o evolucionismo realmente deveria ser debatido como ciência ou como filosofia também é matéria para outro post. Para esse assunto, especificamente, vale dizer que mesmo se o evolucionismo fosse pré-requisito para ser cientista, Marcos Pereira não está sendo cotado para uma vaga de pesquisador, mas, sim, para comandar a pasta de Ciência e Tecnologia. Para isso, basta saber ser ministro. Ouvir os profissionais da área e alocar recursos. Um artigo objetivo sobre isso é o da professora Lygia Pereira: http://oglobo.globo.com/opiniao/um-bispo-no-ministerio-da-ciencia-dai-19243225#ixzz47t9HwdwL

Começou a distopia

orwell_1984_filmea

Minha teoria é que já estamos vivendo os últimos dias da sociedade como a conhecemos. Não é o fim do mundo, a Terra, em si, está bem longe de acabar, mas a estrutura de liberdade e as condições decentes de vida e de pensamento estão com os dias contados. As provas se avolumam e escrevo um romance sobre isso há algum tempo (espero terminar antes do arrebatamento, porque depois não estarei mais por aqui rs). Mas um dos principais indícios é a rápida deformação do pensamento. O modo de pensar mudou para pior. A correria tem transformado a humanidade em uma massa com déficit de atenção artificial e crônico. As pessoas não conseguem manter a concentração por mais de poucos minutos e isso gera uma multidão superficial e pronta para engolir qualquer coisa que a mídia imponha. Sem pensar. Manipuláveis e modificáveis a ponto de servirem como meios para quaisquer fins.

Essa cena do livro 1984, de George Orwell, de quando as pessoas assistem ao programa Dois Minutos de Ódio, é assustadoramente parecida, em sua parte inicial, com o que presenciei um tempo atrás em uma sala de espera enquanto as pessoas assistiam a um telejornal da Globo. A parte final, porém, é mais assustadoramente parecida ainda com o que vemos internet afora.

“Como de costume, o rosto de Emmanuel Goldstein, o Inimigo do Povo, surgira da tela, Ouviram-se assobios em vários pontos da plateia. A mulher ruiva e franzina soltou um guincho em que medo e repugnância se fundiam. Goldstein era o renegado e apóstata que um dia, muito tempo antes (quanto tempo, exatamente, era coisa de que ninguém se lembrava), fora uma das figuras destacadas do Partido, quase tão importante quanto o próprio Grande Irmão, e que depois se entregara a atividades contrarrevolucionárias, fora condenado à morte e em seguida fugira misteriosamente a sumira do mapa. A programação de Dois Minutos de Ódio variava todos os dias, mas o principal personagem era sempre Goldstein. Ele era o traidor original, o primeiro conspurcador da pureza do Partido. Todos os crimes subsequentes contra o Partido, todas as perfídias, sabotagens, heresias, todos os desvios eram resultado direto de sua pregação. […]

O diafragma de Winston estava contraído. Ele era incapaz de olhar para o rosto de Goldstein sem ser invadido por uma dolorosa combinação de emoções. Era um rosto judaico chupado, envolto por uma vasta lanugem de cabelo branco e munido de um pequeno cavanhaque um rosto inteligente e apesar disso, por alguma razão, inerentemente desprezível, com uma espécie de tolice senil no longo nariz esguio, onde se equilibrava um par de óculos já perto da ponta. Parecia a cara de uma ovelha, e a voz, também, tinha uma qualidade algo ovina. Goldstein bradava seu discurso envenenado de sempre sobre as doutrinas do Partido um discurso tão exagerado e perverso que não servia nem para enganar uma criança, e ao mesmo tempo suficientemente plausível para fazer com que o ouvinte fosse tomado pela sensação alarmada de que outras pessoas menos equilibradas do que ele próprio poderiam ser iludidas pelo que estava sendo afirmado. […]

Não fazia nem meio minuto que o Ódio havia começado e metade das pessoas presentes no salão já começara a emitir exclamações incontroláveis de fúria. Impossível tolerar a visão do rosto ovino repleto de empáfia na tela e o poder aterrador do exército eurasiano logo atrás. Além disso, a visão ou mesmo a ideia de Goldstein produziam automaticamente medo e ira. […]  O estranho, porém, era que embora Goldstein fosse odiado e desprezado por todos, embora todos os dias, e mil vezes por dia, nos palanques, nas teletelas, nos jornais, no livros, suas teorias fossem refutadas, esmagadas, ridicularizadas, expostas ao escárnio geral como o lixo lamentável que eram, apesar disso tudo, o ritmo de crescimento de sua influência parecia nunca arrefecer. Sempre havia novos trouxas à espera de ser seduzidos por ele. Não passava um dia sem que espiões e sabotadores agindo a seu serviço fossem desmascarados pela Polícia das Ideias. […]

Em seu segundo minuto, o Ódio virou desvario. As pessoas pulavam em seus lugares, gritando com toda a força de seus pulmões no esforço de afogar a exasperante voz estentórea que saía da tela. A mulher esguia e ruiva adquirira uma tonalidade rosa-vivo, e sua boca se abria e se fechava como a boca de uma peixe fora d’água. […] A garota de cabelo escuro sentada atrás de Winston começara a gritar “Porco! Porco! Porco!” […]. O mais horrível dos Dois Minutos de Ódio não era o fato de a pessoa ser obrigada a desempenhar um papel, mas de ser impossível manter-se à margem. Depois de trinta segundos, já não era preciso fingir. Um êxtase horrendo de medo e sentimento de vingança, um desejo de matar, de torturar, de afundar rostos com uma marreta, parecia circular pela plateia inteira como uma corrente elétrica, transformando as pessoas, mesmo contra sua vontade, em malucos a berrar, rostos deformados pela fúria.

Mesmo assim, a raiva que as pessoas sentiam era uma emoção abstrata, sem direção, que podia ser transferida de um objeto para outro como a chama de um maçarico. Assim, em determinado instante a fúria de Winston não estava nem um pouco voltada contra Goldstein, mas, ao contrário, visava o  Grande Irmão, o Partido e a Polícia das Ideias; e nesses momentos seu coração se solidarizava com o herege solitário e ridicularizado que aparecia na tela, único guardião da verdade e da saúde mental num mundo de mentiras. Isso não o impedia de, no instante seguinte, irmanar-se àquele que o cercavam; quando isso acontecia, tudo o que era dito a respeito de Goldstein lhe parecia verdadeiro. Nesses momentos, sua repulsa secreta pelo Grande Irmão se transformava em veneração, e o Grande Irmão adquiria uma estatura monumental, transformava-se num protetor destemido, firme feito rocha para enfrentar as hordas da Ásia, e Goldstein, a  despeito de seu isolamento, de sua vulnerabilidade e da incerteza que cercava inclusive sua existência, virava um mago sinistro, capaz de destruir a estrutura da civilização com o mero poder de sua voz. […]

O Ódio chegou ao clímax. A voz de Goldstein se transformara efetivamente num balido de ovelha e por um instante seu rosto assumiu um semblante de ovelha. Depois o semblante de ovelha se dissolveu e foi substituído pelo rosto de um soldado eurasiano que parecia avançar, imenso e terrível, metralhadora roncando, como se pretendesse saltar para fora da superfície da tela, de modo que algumas pessoas sentadas na primeira fila se inclinaram para trás nos assentos. No mesmo instante, porém, levando todos os presentes a suspirar aliviados, o personagem hostil desapareceu para dar lugar ao rosto do Grande Irmão, cabelo preto, bigode preto, cheio de força e misteriosa calma, e tão imenso que quase enchia a tela inteira. Ninguém ouvia o que o Grande Irmão estava dizendo. Eram apenas algumas palavras de estímulo, o tipo de palavras pronunciadas no fragor da batalha, impossíveis de distinguir isoladamente, mas que restauram a confiança pelo mero fato de serem ditas. Em seguida o rosto do Grande Irmão se esfumou outra vez e os três slogans do Partido, em letras maiúsculas, ocuparam seu lugar.

GUERRA É PAZ

LIBERDADE É ESCRAVIDÃO

IGNORÂNCIA É FORÇA”

Claro que, no mundo real, os slogans não são expostos de forma literal. Porém, essas três frases são a essência do que o mundo vive atualmente. E todos esperam que o Grande Irmão apareça e os livre da ameaça, do medo e da agressividade que os assusta e descontrola. Sem saber, porém, que o que mais os apavora é criado justamente por quem lhes estende o alívio. O Grande Irmão não é a mídia, mas controla a mídia. Estende a cruz de seu cetro para empurrar as ovelhas aonde ele quer que estejam. Não conseguiremos parar esse movimento, ele está onde tem que estar. A distopia é inevitável e caminhamos para ela. Porém, não precisamos participar disso.

Goldsteins são apontados pela mídia diariamente, definindo a quem devemos odiar. Há quem sequer consiga olhar para uma foto de uma personalidade sem queimar de raiva por dentro – e não percebe o quanto isso é anormal. Vivemos todos, atualmente, mergulhados nos Dois Minutos de Ódio, que parecem não ter fim. Cabe a nós escolher desligar esse canal em nossa cabeça. Pelo menos enquanto não é obrigatório assistir…

Diário de leitura – Habacuque

habacuque2

No início do livro, Habacuque pergunta por que Deus lhe permite ver iniquidade, opressão e injustiça e não faz nada para resolver. Quantas vezes temos essa sensação de impotência diante da injustiça? Quantas vezes questionamos a Deus dessa forma? Quantas vezes temos vontade de perguntar, como ele: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e Tu não me escutarás?”.

Os questionamentos de Habacuque não eram de incredulidade, eles vinham de ele acreditar no caráter de Deus: “Tu és tão puro de olhos que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e Te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (1.13). O que ele via não combinava com o que sabia a respeito de Deus. Se Ele é tão puro que não pode ver o mal, por que se cala diante da injustiça?

Essas questões duraram um capítulo. Depois disso, Habacuque não ficou se angustiando com o problema. Simplesmente apresentou suas perguntas e aguardou uma resposta, sem duvidar que ela chegaria. Ele age com Deus como agiria com uma pessoa visível. Quando perguntamos algo a alguém, esperamos a resposta, mas, com Deus, muitas vezes agimos como se Ele não existisse. Perguntamos e continuamos nos atormentando com aquele pensamento. Ficamos ruminando o problema como se tivéssemos feito uma pergunta ao vento. Enquanto falamos com nós mesmos, como ouviremos a Deus? Habacuque teve seu tempo de falar, mas parou para ouvir.

Já estava até se preparando para levar um puxão de orelha: “para ver o que falará a mim e o que eu responderei quando eu for repreendido” (2.1). A resposta de Deus, porém, foi de esperança. Pediu ao profeta que escrevesse a visão. Tudo se resolveria. As coisas têm um tempo certo. O que Deus tem a fazer, Ele fará. “Se tardar, espera, porque certamente virá.”

A resposta de Deus foi basicamente: Meu filho, Eu estou vendo. Espera, pois tudo se cumprirá.

E Ele realmente estava. Tanto que detalha o problema e diz que o orgulhoso acha que está se dando bem tentando construir sua vida à custa dos outros, mas, inevitavelmente, vai se dar mal. Deus manda Habacuque escrever para deixar claro o que não deveria ser feito, para que o ímpio tivesse consciência do erro. “Ai daquele que multiplica o que não é seu” e que constrói sua vida com sangue, com iniquidade. O fundamento da nossa vida tem de ser a justiça, a Palavra de Deus, ainda que, em alguns momentos, pareça que estamos perdendo ou nos dando mal. Se tentamos nos estabelecer (ou mesmo nos proteger) prejudicando os outros, estamos pecando e iremos colher destruição. Quem tenta se proteger do mal na força do seu próprio braço será alcançado por esse mal.

O profeta, que começou questionando a aparente imobilidade de Deus, termina falando da salvação, descrevendo a ira de Deus contra a injustiça. Nas palavras da oração de Habacuque, os montes tremeram, o sol e a lua pararam diante do poder e da indignação de Deus, que, marchando pela Terra, vem salvar Seu povo e ferir a cabeça da casa dos ímpios. O profeta, após ouvir a Palavra de Deus, reconhece (e descreve) a Sua grandeza e descansa na certeza de que Ele está ciente do que acontece e irá agir. Esse é o poder da Palavra dentro de nós: quando a absorvemos, ela muda completamente a nossa visão das coisas.

“No dia da angústia descansarei” (3.16). Habacuque mostra a grandeza de Deus, que já não está alheio ao sofrimento de Seu povo. Desde o começo não estava, mas aqui o profeta já percebeu que tudo estava sob controle e diz que mesmo que tudo pareça dar errado, ele continua confiando, se alegrando em Deus. E se refere a Ele como “o Deus da minha salvação” e como a sua força. Se no começo ele estava desesperançado, cansado e confuso, no final está confiante, fortalecido e feliz, pois aprendeu que “o justo pela sua fé viverá”. (2.4)

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.” Habacuque 3.17,18

Essa é a fé pela qual o justo viverá. A fé que independe das circunstâncias. Não está nem aí para o que vê ou sente. Se eu dependo de Deus, tanto faz se tudo parece bem ou se as coisas estão de cabeça para baixo. Tanto faz se está difícil ou fácil. Tanto faz se surgem ameaças ou se tudo está tranquilo.

Se a oliveira não der azeitonas, se você não colheu o que plantou, se não aconteceu o que esperava e se não viu o que queria. Você não muda seu comportamento com Deus. Continua feliz porque depende dEle e sabe em Quem tem crido.  Habacuque, em três pequenos capítulos, nos ensina a buscar as respostas em Deus, ouvi-Lo, confiar e descansar, sem dar a mínima para as coisas que pareciam muito importantes e dramáticas minutos atrás.

.

* Estou lendo na versão Almeida Corrigida Fiel (ACF), a tradução em português mais próxima do texto original. Comprei nesse site aqui: biblias.com.br

PS: Claro, não dá para fazer Diários de Leitura de absolutamente todos os livros que leio, mas acho um exercício fantástico (e, principalmente com a Bíblia, vale muito a pena). Escrever enquanto leio dá trabalho, mas é uma boa técnica para meditar no que estou lendo. Leio bem mais devagar assim, mas, pelo menos, pego bem o espírito. Evita aquela leitura preguiçosa e obriga meu cérebro a manter a atenção e fazer conexões. É algo que gosto de fazer no Templo de Salomão, antes de começar a reunião, por exemplo. Ou em casa, depois (ou antes) de um dia agitado. Ou na sala de espera do médico rs. Um pouquinho por dia. O importante não é terminar rápido a leitura, mas aproveitar todos os capítulos. 😉

Quando você pensa que não vai conseguir

sacrificio

Não sei se ela realmente decidiu desistir, mas resolvi responder ao comentário em um post na esperança de que, se não puder ajudá-la, possa ajudar a outras pessoas. Talvez seu problema não seja tirar a carteira de motorista, mas enfrentar qualquer situação difícil que exija uma atitude. Eu tenho horror à palavra DESISTIR. Horror, mesmo. Só de raiva da situação, quanto mais difícil a coisa parece, mais insisto. Não descanso enquanto não consigo.

Nem sempre foi assim, mas, desde que isso se tornou minha nova natureza, eu pre-ci-so passar esse espírito para quem se aproxima de mim. Se a pessoa vai aceitar ou não, é escolha dela. Minha parte é explicar que há outra forma de ver as coisas. Uma que dá resultado. Porque me revolta pessoas capazes, como a Verane, cedendo diante da pressão. (O comentário abaixo foi feito no post Aprendendo a Dirigir, publicado em 2008 na coluna que eu tinha na extinta Revista Paradoxo e reproduzido aqui no blog em 2011.)

“Hoje voltei da aula de direção me sentindo um lixo, pior ainda: a maior burra do planeta. Tive a sensação que acabara de descobrir que tinha alguma deficiência. Chorei muito e estou decidida a desistir. As cobranças do instrutor e a dificuldade em obedecê-las me fizeram sentir incapaz.

Procurei na internet algo que retratasse o que eu estava sentindo e me deparei com o seu texto. Tudo o que vc expressou de forma muito humorada me tocou bastante pois retrata a minha situação: sou estudiosa, gosto muito de ler e sempre planejei tudo o que vou fazer ou falar. Sou professora metódica e me considero de inteligencia razoável. Mas após as “caretas” do instrutor, os suspiros de impaciência, as reclamações, demonstram que EU NÃO VOU CONSEGUIR.
Diante de tanta cobrança, a certeza que eu tenho que nunca vou conseguir passar no exame.
Outra coisa, tantas cobranças, expressões de desagrado produzem um efeito totalmente negativo em mim: não consigo seguir as orientações, faço tudo errado e minha mente simplesmente não funciona.
Fiquei muito feliz em ler o seu texto mas estou decidida a abandonar as aulas.Um grande abraço!

Verane de Cassia

Verane, ninguém pode impedir você de desistir se estiver decidida a jogar tudo para o alto, mas acho que não está assim tão convicta de que o melhor para você é desistir, apesar de ser essa sua vontade imediata. Se estivesse convicta de que desistir a faria realmente feliz, acho pouco provável que tivesse se dado ao trabalho de escrever aqui.

Você decidiu abandonar as aulas porque seu sentimento de inferioridade lhe parece insuportável no momento e você não conseguiu lidar com o impacto da frustração. Você tem medo de que seu desempenho confirme essa sensação de que não vai conseguir. Mesmo que, racionalmente, qualquer pessoa que analisar essa situação perceba claramente que é impossível você não conseguir.

Não faz o menor sentido a cobrança de um homem ser uma espécie de confirmação de que você nunca vai conseguir. Pense bem, não faz sentido. A lógica nos diz que qualquer coisa que estudarmos, entendendo o funcionamento e os mecanismos, conseguiremos aprender. E, com a prática, alcançaremos resultados. Gente burra aprende a dirigir. Gente inteligente aprende a dirigir. Deficientes físicos aprendem a dirigir. Pessoas realmente perturbadas aprendem a dirigir. Pessoas controladas aprendem a dirigir. Se o seu instrutor tem um problema, o problema é todo dele e só vai afetar seu objetivo se você permitir.

Sabe, a definição bíblica de fé é: “certeza das coisas que se esperam, convicção de fatos que não se veem”. Você está usando toda a sua fé contra você, de uma forma negativa, acreditando em uma palavra e em um sentimento que não têm fundamento nenhum. Você fundamentou essa certeza em uma sensação, em um sentimento (e, caso não tenha percebido, nosso coração é extremamente enganoso, nem sempre podemos confiar nas sensações…) e, movida pelo medo, DECIDIU desistir.

Nada é mais forte do que seu poder de decisão. É ele que define o futuro que você vai ter. Porém, você pode usar esse poder de DECISÃO para se manter firme em seu objetivo, independentemente do que estiver sentindo. Pode DECIDIR continuar no objetivo, ainda que precise mudar de instrutor dez vezes, tendo consciência de que o problema está nele e não em você. Mas o que você vai fazer a partir de agora é responsabilidade sua. A decisão é sua.

Você é professora. Imagina se um aluno de outro professor chegasse até você e dissesse que decidiu desistir de estudar porque o professor é impaciente e fez com que ele se sentisse incompetente, incapaz e, POR CAUSA DISSO, ele tem certeza de que nunca vai conseguir e decidiu desistir. O que você diria a esse aluno?

Se você realmente estivesse convicta do que me escreveu, estaria em paz com essa decisão. E se tivesse em paz com essa decisão, não teria chorado, não teria pesquisado no Google, não estaria tão confusa e ferida. Analise suas motivações e pense no que você realmente quer. Vai dar tanto crédito assim a essa palavra “EU NÃO VOU CONSEGUIR” que surgiu na sua mente por causa da agressão emocional que sofreu? Vai realmente abrir mão do seu direito de aprender a dirigir por causa de uma experiência negativa que colocou em você terror de revelar uma incompetência que, no fundo, você tem medo de ter?

Assim como você, eu tinha duas opções: ou desistia e parava de sentir aquela frustração, ou enfrentava a frustração e, como uma questão de honra, insistiria até conseguir. Parei as aulas práticas e, depois de quase um ano naquela dúvida, escolhi a segunda opção. Mudei de autoescola e de instrutor, fiz sei lá quantas aulas práticas e repeti o exame umas duas ou três vezes, até passar.

Olha só que interessante, escrevi artigos enormes sobre todos os exames fracassados, mas nem me lembro quantos foram. Porque na hora pode parecer o fim do mundo, mas, depois que você alcança o seu objetivo, qualquer dificuldade que passou fica pequena.

Usei a minha fé, a certeza de que conseguiria, independentemente do que estava sentindo ou do que parecia, para alcançar o resultado. Eu tinha os olhos no resultado. Queria a CNH e iria até o fim. Passei pela frustração várias vezes e, a cada vez, ela parecia mais fraca e eu, mais forte. Quando, finalmente, consegui a habilitação, a sensação de superar minhas próprias expectativas fez valer todo o sacrifício.

Porque é isso, minha amiga. Tudo o que realmente vale a pena na vida exige sacrifício. Sacrificar nossa vontade de desistir, sacrificar a vontade de sair correndo, sacrificar o medo da frustração, desafiar nossas dúvidas com a força da nossa fé, ainda que pequena, ainda que minúscula, ainda que aparentemente tão frágil…isso só é possível quando temos em mente nosso objetivo. Quando estamos definidos.

Qual é seu objetivo? Fugir de uma frustração? Se sentir temporariamente confortável? Evitar a sensação ruim? Ou aprender a dirigir e ter direito à habilitação? Você já está querendo sacrificar. Está disposta a renunciar ao sonho de aprender a dirigir para se livrar da frustração. Mas sacrificar para o medo apenas faz com que ele se confirme, se fortaleça e a enfraqueça. Você terá certeza de sua incompetência. Em que isso a ajuda? Sacrifique para a fé e você se fortalecerá. Renuncie à vontade de desistir, enfrente e alcançará o que quiser.

Como eu disse, nada é mais poderoso do que sua decisão. Mas, para que consiga ser feliz e ter uma vida de qualidade (e isso vai muito além de uma carteira de motorista), é importante que aprenda a basear suas decisões naquilo que seu intelecto é capaz de avaliar, e não nas emoções provocadas por uma situação difícil. Você é muito forte, espero que acalme seu coração e consiga usar essa força a seu favor.

Eu não sou melhor do que você. Continuo sendo uma pessoa fisicamente estabanada e mentalmente distraída cujo lado esquerdo não se comunica com o direito. E meu sentido de propriocepção é tosco. Porém, por causa do esforço que precisei fazer para aprender a dirigir, me tornei uma excelente motorista. É sério, depois que tirei a carteira, recebi muitos elogios. Nunca levei nenhuma multa e, depois, dirigir se tornou super natural e nada traumático. No final das contas, toda aquela guerra para aprender me fez melhor do que se tivesse sido fácil.

As coisas, na verdade, não são todas assim? :)

O filme que retrata o País

1904587685-dez-mandamentos

Por: Thais Toledo

Vivemos uma fase de más notícias no País. A corrupção estampa jornais e revistas. A cada momento descobre-se mais envolvidos. Esse mal parece passar de geração em geração, afinal, o problema vem desde os tempos coloniais. Mas não tem como negar a severa negligência dos que estão atualmente no poder.

A crise financeira apavora a todos. Desemprego cresce. Inflação sobe. É preciso conter gastos. Até o básico falta a uma população já cansada de sofrer. As chuvas, ao invés de trazer o bem, causam enchentes e perdas em diversas regiões, tiram o pouco que a população possui. E a epidemia de dengue e zika preocupa como nunca. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou que a microcefalia é uma emergência global — e pretende estudar a relação com o zika. Isso sem falar nos tradicionais problemas de transporte, saúde, educação etc.

Por que tanto descaso com a população? É fato que cada um tem sua parte a fazer. Mas será que aqueles que foram eleitos para representar o povo não poderiam ter feito nada antes que o caos se instalasse? E, agora, será que conseguiremos sair dessa situação?

O filme Os Dez Mandamentos nos mostra que sim. Sempre olhamos para a história principal que retrata Moisés e a libertação dos hebreus da escravidão. Mas compare o Brasil com o Egito da época. Observe o tratamento que Ramsés dava ao seu próprio povo.

Troque presidentes, governadores e prefeitos pelo faraó. Mude o nome corrupção por um coração egoísta e orgulhoso. Escolha os problemas e atribua as pragas. Por causa do faraó, os egípcios ficaram sem alimentos, água, sofreram com tempestade, infestação de insetos, falta de recursos, doenças e morte dos filhos. Foram ao fundo do poço porque seu líder não pensou em seu povo. Ramsés agiu segundo seus interesses, como fazem os corruptos. Repetimos que não queremos lideres assim, porém seguimos os elegendo.

Moisés não era assim. Ele se dedicou ao povo. Arriscou sua vida ao entrar na presença do faraó tantas vezes em favor dos hebreus. Orientou os que precisavam de uma palavra. Ele foi paciente com aqueles que duvidavam. E seguiu guiando esse povo por 40 anos no deserto. Mas ele só conseguiu isso porque era guiado por Algo Maior. Ele tinha Deus à sua frente. Tudo que ele fazia era sob a orientação Divina. Quem cuidava do povo não era um homem, e sim o Senhor. Ele representava a liderança dAquele que quer o melhor para os Seus. Que cuida de quem O segue e obedece.

Mesmo que nossos líderes não tenham fé e confiança no Altíssimo, essa escolha cabe a cada um de nós. Se você assistiu ao filme se lembra da cena que precede a praga da morte dos primogênitos, em que hebreus e egípcios se reuniram na casa de Joquebede para a Páscoa. Moisés diz que todos presentes devem escolher se irão crer em Deus ou não. E explica que “crer é basear toda a sua vida nessa fé”. Quem baseia sua vida nessa fé não depende do governo. Não espera pela sorte. Crê, obedece e segue a direção de Deus. E Ele faz diferença entre o Seu povo e aqueles que O rejeitam. Enquanto os hebreus estiveram afastados dEle, seguiram escravos. A situação só mudou quando eles se voltaram a Deus.

Que bom seria se tivéssemos no governo pessoas que temessem a Deus de verdade. Não religiosos. Mas aqueles que fossem fiéis a Deus. Porém, enquanto não temos, cabe a nós optar. Se seremos assolados pelas “pragas” da atualidade ou deixaremos que Deus nos guie, confiando que Ele fará o melhor. A escolha é sua.

 Thais Toledo